O mundo do futebol chora a perda de Edson Arantes do Nascimento, universalmente conhecido como Pelé, que morreu aos 82 anos em São Paulo. Sua partida marca o fim de uma era para um jogador cujo gênio transcendeu o esporte, rendendo-lhe o título de 'tesouro nacional' pelo governo brasileiro em 1961. A jornada de Pelé desde origens humildes até o estrelato global remodelou o futebol de associação, deixando um legado indelével que continua a inspirar.
Nascido em uma família empobrecida em 23 de outubro de 1940, em Três Corações, Minas Gerais, a vida inicial de Pelé foi marcada por dificuldades. Ele trabalhou como engraxate enquanto jogava informalmente, adquirindo seu famoso apelido de uma pronúncia errada de 'Bilé', nome de um jogador local. Este começo modesto contradizia o talento extraordinário que em breve surgiria, quando foi recrutado pelo Santos FC aos 15 anos para seu time juvenil, avançando rapidamente para o time principal. Sua ascensão rápida chamou a atenção da seleção brasileira, à qual se juntou em 1956 com apenas 16 anos, preparando o palco para uma carreira que redefiniria o jogo.
O grande avanço de Pelé veio durante a Copa do Mundo de 1958 na Suécia, onde foi inicialmente levado como reserva. Na final, ele foi colocado em campo e realizou um momento de pura genialidade: chutar a bola sobre um defensor, driblar outro e marcar um gol que seria votado entre os melhores da história do futebol. Esta atuação não apenas garantiu a vitória do Brasil, mas também proclamou Pelé como o jogador de destaque do torneio, lançando-o à fama internacional. Sua habilidade de combinar técnica com criatividade incorporou o 'futebol arte', termino popularizado mais tarde por sua autobiografia de 1977.
Apesar de seus triunfos, a carreira de Pelé enfrentou desafios significativos. Durante a Copa do Mundo de 1962 no Chile, ele sofreu uma lesão que o deixou de lado em grande parte, embora o Brasil ainda tenha vencido o torneio. Em 1966, ele já era considerado o melhor jogador do mundo, mas o Brasil foi eliminado na fase de grupos na Inglaterra, levando Pelé a jurar nunca mais voltar à Copa do Mundo. Este revés destacou o desgaste físico do esporte e a natureza imprevisível da competição, mas também sublinhou sua resiliência e determinação em deixar um impacto duradouro.
Pelé desafiou sua própria promessa ao participar da Copa do Mundo de 1970 no México, sua última aparição na Copa. Lá, ele liderou o Brasil à vitória contra a Itália na final, marcando o gol inicial e cimentando seu status como tricampeão mundial. Esta conquista não apenas solidificou seu legado, mas também mostrou sua habilidade duradoura e liderança no cenário global. Depois de se aposentar do Santos FC em 1972, ele recusou ofertas de clubes europeus, optando por se concentrar em novos empreendimentos que expandiriam ainda mais o alcance do futebol.
Em 1975, Pelé fez um retorno dramático com o New York Cosmos na North American Soccer League, ajudando a popularizar o esporte nos Estados Unidos. Sua presença atraiu atenção maciça e elevou o perfil da liga, demonstrando sua capacidade de cativar audiências além dos bastiões tradicionais do futebol. Um momento simbólico ocorreu em 1976 quando ele jogou metade de uma partida por cada time em um jogo entre o Cosmos e o Santos, antes de anunciar sua aposentadoria definitiva do futebol profissional. Esta passagem sublinhou seu papel como embaixador global do jogo.
A influência de Pelé se estendeu muito além do campo. Sua autobiografia, 'Minha Vida e o Futebol Arte', desempenhou um papel fundamental na popularização do apelido para o futebol de associação, enfatizando suas qualidades artísticas e de entretenimento. Ele foi hospitalizado por mais de um mês no Hospital Albert Einstein em São Paulo enquanto recebia tratamento para câncer de cólon, diagnosticado em 2021. O hospital atribuiu sua morte a falência múltipla de órgãos resultante desta doença, marcando o fim de uma vida que encantou milhões em todo o mundo.
O anúncio da morte de Pelé provocou uma enxurrada de homenagens de toda a comunidade do futebol e além. A atual estrela brasileira Neymar postou no Instagram: 'Pelé mudou tudo. Ele transformou o futebol em arte, entretenimento... O futebol e o Brasil elevaram seu status graças ao Rei! Ele se foi, mas sua magia perdurará. Pelé é eterno!' O atacante francês Kylian Mbappé tuitou: 'O rei do futebol nos deixou, mas seu legado nunca será esquecido... DESCANSE EM PAZ REI.' Essas reações destacam como o impacto de Pelé ressoou com gerações de jogadores e fãs.
Líderes políticos também homenagearam o legado de Pelé. O presidente cessante Jair Bolsonaro o chamou de 'um grande cidadão e patriota, que elevou o nome do Brasil onde quer que fosse' e ordenou três dias de luto nacional. O presidente eleito Luiz Inácio Lula da Silva observou que 'poucos brasileiros levaram o nome do nosso país tão longe quanto ele'. O presidente francês Emmanuel Macron capturou sucintamente sua essência com o tweet: 'O jogo. O rei. A eternidade.' Essas declarações refletem o papel de Pelé como uma figura unificadora que elevou o status global do Brasil através do esporte.
A morte de Pelé significa a perda de um verdadeiro ícone cuja carreira abrangeu décadas e continentes, de Santos aos Cosmos, e da glória da Copa do Mundo ao embaixador cultural. Sua capacidade de parar guerras, inspirar obras sociais e espalhar uma mensagem de amor através do futebol o tornou mais que um atleta — ele foi um símbolo de esperança e excelência. Enquanto o mundo do futebol reflete sobre suas contribuições, sua magia perdura nas memórias daqueles que testemunharam seu gênio e nas inúmeras vidas que ele tocou.
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